Tomei conhecimento do musical em agosto do ano passado, pesquisando vídeos da Caissie Levy no You Tube. Um mês depois encontrei o CD e comecei a escutar as músicas. Ao descobrir que passaria por Londres em janeiro e que poderia assistir a somente duas peças, Ghost – The Musical foi minha primeira escolha. Primeiro, porque algo ali me atraía musicalmente e eu precisava entender o que era. Segundo, porque estava muito curioso para saber como eles iriam atravessar portas e fazer pessoas voarem em trens em movimento (e – por que não – como os trens estavam em movimento).

Foto: Divulgação

O espetáculo como é hoje estreou em Londres em 19 de julho de 2011, depois de passar pela Opera House de Manchester, e é uma perfeita adaptação para os palcos do filme homônimo de 1990. O autor da história, Bruce Joel Rubin, divide com Dave StewartGlen Ballard (compositores das canções), o texto e as letras das músicas.

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Se o leitor não conhece a história, vale a pena correr até a locadora mais próxima e se deliciar com as atuações impecáveis de Patrick Swayze, Demi Moore e Whoopi Goldberg. Fazendo isso, vai saber exatamente o que acontece nos palcos do Piccadilly Theater em Londres, ou do Lunt-Fontanne Theatre em NY (As previews começam em 15 de março na Broadway – que roubou os protagonistas da montagem britânica), com direito a tomo, argila e Unchained Melody tocando ao fundo.

A peça é o que eu chamo de “buraco negro”: traga qualquer um que estiver passando por ali sentado na plateia para o meio da história. E quando você percebe, já está com a mocinha do teatro te oferecendo um sorvete no intervalo.

O cenário conta com um grande painel de Led, que se divide em várias partes para nos levar ao apartamento, onde se passa a maior parte da peça, e se junta novamente para nos dar a impressão que estamos no metrô de NY em pleno movimento.

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As músicas e coreografias são bem contemporâneas, aliadas fortes para contar a história, com direito a um coro afinadíssimo que dança superbem, “concertatos” incríveis e um casal de protagonistas de dar inveja a qualquer time de Last Five Years: Richard Fleeshman e Caissie Levy, que dá uma aula de canto em cena.

Mas é a forma como se junta tudo isso que faz de Ghost – The Musical uma das melhores obras de Teatro Musical Moderno que vi nesses últimos tempos.

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A impressão que tenho é que os produtores destas novas peças forçam o diretor de cena, o coreógrafo, o diretor musical, o preparador vocal, o stage manager, o iluminador, o cenotécnico, o figurinista e alguns outros a sentarem todos juntos numa mesma sala, trancada com vários cadeados e somente uma pequena abertura por onde passam café e qualquer comida. Daí eles simplesmente começam a criar a peça juntos e acabam por revolucionar o conceito de transição, trocando-o por transposição.

A sensação é de que somos transpostos de uma cena para outra sem saber direito como chegamos lá ou de onde viemos. A história inteira vira uma nebulosa dentro da gente, envolvida pelo “motive” Here, Right, Now, que se repete peça afora e depois na sua cabeça… por muitos dias.

Além de tudo isso, não dá pra deixar de destacar o momento em que o protagonista Sam consegue enfim manusear os elementos materiais e não mais se debate com a infinidade de hologramas incrivelmente utilizados. E o show à parte de Da’Vine Joy Randolph, que faz o papel de Oda Mae (Whoopi Goldberg no filme), e que também seguirá para a Broadway.

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