Quando o teatro se junta com a música nos palcos, o resultado pode ter diversos nomes: ópera, musical, opereta, comédia musical, teatro musicado… Quando The Black Crook , o primeiro musical de que se tem notícia, estreou na Broadway em 1866, foi chamado de um “híbrido de mau gosto” que não é nem teatro e nem ópera. Já O Cervo Mágico, que abriu suas portas na Broadway em 1952 e foi chamado de “um conto encantado sério cômico trágico operático histórico extravagante burlesco“, acabou fechando as portas após 5 apresentações. Infelizmente este tipo de confusão é comum até hoje.
Bono, que colaborou com The Edge na criação das músicas e letras de Spider Man: Turn Off the Dark, chamou o espetáculo de ”Pop-Art Opera” (seja lá o que significa isso). Stephen Sondheim, quando questionado, escapou muito bem com a seguinte definição: “Ópera é qualquer coisa que seja apresentada numa casa de ópera por uma companhia de ópera”.
Poderíamos aceitar a brilhante definição de Sondheim e parar por aqui, mas como a Ziegpedia está sempre em busca de conhecimento, vamos tentar agradar a Lloyd Webberistas e a Sondheimianos com uma nova definição simplificada: tanto a ópera quanto o musical procuram combinar palavras e música. Mas na Ópera a música ganha os holofotes, enquanto que no teatro musical a palavra, o texto, é mais importante.
No próprio nome, o Teatro Musical deixa a música em segundo plano, favorecendo o teatro. Normalmente as produções musicais tem as letras traduzidas para que as palavras cheguem até o público em sua língua nativa, o que raramente acontece com a ópera. A técnica de canto do teatro musical também favorece a compreensão da palavra, em oposição à técnica operística.
Mas, antes que as pedras comecem a ser atiradas, é importante lembrar que para a criatividade não há fronteiras nem limites, então é natural encontrar dificuldade ao colocar em cada obra o seu rótulo de musical ou ópera. Candide, por exemplo, é uma obra com música de Leonard Bernstein e letra de vários colaboradores como Lillian Hellman, Stephen Sondheim e Dorothy Parker. A música pode ser considerada operística, e o texto, baseado no romance de Voltaire é uma obra prima. Por ironia do destino, esta obra geralmente é classificada nem como um musical e nem como uma ópera, e sim como uma opereta.
Bem, Shakespeare já dizia: “Uma rosa, se tivesse qualquer outro nome, teria o mesmo cheiro”. Assim, seja qual for o rótulo que você escolheu dar para seu espetáculo favorito (seja com a definição aqui sugerida ou com a sua própria) ele ainda será capaz de mexer com seus sentimentos. Veja este vídeo com as inigualáveis Patti Lupone e Kristin Chenoweth em uma cena de Candide e comprove que, seja ópera, musical ou opereta, o espetáculo é uma obra de arte!
Conheça um pouquinho mais sobre a carreira de Kristin Chenoweth e veja a definição de Opereta aqui na Ziegpedia.
Kristin Chenoweth (1968 -): cantora e atriz americana, desde criança Kristi Dawn Chenoweth cantava música gospel. Ela estudou ópera antes de decidir seguir carreira em teatro musical. Sua estréia na Broadway ocorreu em 1997 no musical Steel Pier. Recebeu um Tony por sua interpretação de Sally Brown no musical You’re a Good Man, Charlie Brown. Ela também criou o papel de Glinda em Wicked. Participou de várias séries televisivas onde, em algumas, emprestou sua voz, como foi o caso de Glee, GCB e Pushing Daisies, que lhe rendeu um Emmy de Melhor Atriz.
Opereta: é um gênero de ópera mais leve e curta. É caracterizada pela música alegre e viva, pelo enredo descontraído e pelos diálogos falados entre números de música cantada; as operetas também são chamadas de óperas ligeiras e alguns as consideram como o meio termo entre o musical e a ópera. Na Inglaterra, o letrista W. S. Gilbert e o compositor Arthur Sullivan escreveram 14 operetas entre 1871 e 1896, das quais H.M.S. Pinafore, Os Piratas de Penzance e O Mikado são as mais conhecidas e até hoje são montadas ao redor do mundo. Na França, um dos países onde o gênero é mais popular, quem se destacou foi o autor Jacques Offenbach. Nascido na Alemanha e depois radicado na França, foi responsável pela criação de várias operetas de sucesso como La Vie Parisienne, La Belle Helène e Orfeu no Inferno cuja abertura se tornou o tema de referência da dança can-can.



