A partir de 1859, a vida noturna na cidade do Rio de Janeiro nunca mais foi a mesma. Foi aberta uma nova casa de espetáculos, o Alcazar Lírico, que levou à então capital brasileira o vaudeville, a sensualidade das mulheres francesas, as danças provocantes, as peças populares e a “imortalidade” noturna.
Composto de diversas influências, nascia assim o teatro de revista brasileiro. O texto se concentrava na recapitulação dos principais acontecimentos do país no ano anterior, ou melhor, tudo que havia saído nas revistas. Foi no teatro de revista que artistas desconhecidos fizeram fama, entre eles Carmen Miranda, Oscarito, Grande Otelo, Dercy Gonçalves, Marília Pêra e Bibi Ferreira. Suas estrelas eram chamadas de vedetes.
E foi no teatro de revista que o Ziegpedia foi buscar inspiração para os dois verbetes desta semana:
Vedete. Vedette vem do francês e significa, literalmente, ‘pessoa em evidência’, o que acabou virando sinônimo de ‘estrela’. Assim eram chamadas as atrizes principais do teatro de revista, que se destacavam durante as apresentações exibindo suas longas pernas torneadas. Virgínia Lane recebeu do presidente Getúlio Vargas o título de “A Vedete do Brasil”. As mais ousadas foram Luz del Fuego e Elvira Pagã, que exibiam um pouco mais do que as pernas. Outras vedetes famosas foram Carmem Verônica, Viola Simpson, Mara Rúbia e Marly Marley.
Carmen Miranda (1909-1955). Portuguesa de nascimento, Maria do Carmo Miranda da Cunha também era conhecida como “A Pequena Notável”. Não só cantava, dançava e atuava, mas fazia isso tudo sobre um enorme sapato plataforma, uma de suas muitas marcas registradas, como o movimento das mãos e quadris e o revirar de seus expressivos olhos verdes. Trabalhou no rádio, no teatro de revista, no cinema, nos casinos e na televisão. Chegou a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos Estados Unidos e, até hoje, é a única brasileira a gravar os pés e as mãos no cimento da calçada da fama em Los Angeles. No Brasil participou de 8 longa-metragens e, entre 1941 e 1953, atuou em 13 filmes em Hollywood.
Veja uma de suas mais famosas cenas, interpretando a canção The Lady in the Tutti Frutti Hat do filme Entre a Loura e a Morena (The Gang’s All Here, 1943), de Busby Berkeley.
Para saber mais sobre as origens do Teatro de Revista brasileiro leia aqui o Zieg Doc especial sobre Artur de Azevedo. Se você gostaria de entender melhor algum termo teatral ou gostaria de ver alguém homenageado aqui no Ziegpedia, envie um e-mail para ziegpedia@mrzieg.com.




