Os fãs brasileiros de musicais podem ficar tranquilos: a versão brasileira de A Família Addams é bem diferente da montagem original da Broadway.
Estive em Nova York no começo de 2010 e, feliz da vida, fui assistir ao primeiro ensaio aberto do musical. Tinha tudo pra ser sucesso: música de Andrew Lippa, ótimos personagens e elenco encabeçado por Nathan Lane e Bebe Neuwirth. Infelizmente o programa do espetáculo ainda não estava pronto; vi que existem atrasos também nas produções de lá.
Quando o famoso tema de A Família Addams começou a tocar, a plateia veio abaixo e todos juntos estalavam os dedos no ritmo tão conhecido. Ao abrir a cortina, a primeira imagem era impactante: o belíssimo cenário de um mórbido cemitério e, por trás de um imenso portão, os nossos conhecidos personagens.
O espetáculo tinha tudo para ser o máximo! Mas, ao longo do primeiro ato, o ânimo foi diminuindo. A história se mostrava fraca, os números musicais eram previsíveis e toda vez que um dos atores se aproximava do centro palco você já sabia: ‘pronto, vai começar a cantar!’. Nathan Lane era apenas o Nathan Lane e Bebe Neuwirth era uma versão com vestido e cabelos longos da sua tão famosa Velma Kelly em Chicago. Apenas o Tio Fester e a Vovó tiravam grandes risadas - e os melhores números musicais eram os da Wandinha.
O musical também não agradou aos produtores originais; e como não tinham mais tempo para reformular o espetáculo, estrearam mesmo assim. Apenas quando começaram a ensaiar o elenco para a turnê americana é que tudo foi melhorado. E é essa a montagem que chega ao Teatro Abril.
Os Addams apareceram pela primeira vez em tirinhas de jornais na década de 30 e foram definitivamente batizados como A Família Addams no início dos anos 60, quando a série de TV foi lançada. A história do musical começa quando Wandinha quer apresentar o seu novo namorado para a sua família, e pede que seu pai Gomez não conte nada a sua esposa Mortícia sobre o relacionamento. O conflito está criado e, então, vamos acompanhar as peripécias desses deliciosos personagens tentando se comportar de maneira normal para agradar a família do noivo.
A grande diferença entre a trama original e a que chega aos palcos brasileiros é a seguinte: antes, as grandes tranformações e conflitos aconteciam na família de Lucas, o namorado da Wandinha, enquanto os Addams eram meros coadjuvantes na história. Na nova versão, a relação de Gomez e Mortícia é colocada à prova, e tudo gira em torno deles. Acreditem, é muito melhor!
Da produção original, 5 canções foram cortadas e substituídas por outras quatro canções. A música de Andrew Lippa é rica em referências e estilos musicais, dando a cada personagem características bem específicas. As versões de Claudio Botelho estão muito bem feitas, e as referências brasileiras colocadas no texto estão na medida certa.
Outro ponto positivo e que deve ser admirado é que toda a produção do espetáculo (cenários e figurinos) foram feitos aqui no Brasil, já que esta é a primeira montagem feita fora dos Estados Unidos. E tudo está perfeito e com qualidade impressionante.
E como não poderia deixar de ser citado, o grande destaque é, sem dúvida, o elenco brasiliero. Daniel Boaventura está mais do que à vontade no papel: e Gomez com certeza será mais uma interpretação marcante em sua carreira. Daniel, que transita muito bem em todos os estilos de interpretação, parece se sentir mais à vontade em personagens cômicos, como foi também o caso de Gastón em A Bela e a Fera (2003). Marisa Orth está perfeita como Mortícia e seu timing de comedia é perfeito; está muito bem em sua estreia nos grandes musicais.
O restante do elenco é formado por atores, alguns já conhecidos de outros musicais como Paula Capovilla em ótima composição no papel de Alice, ou Laura Lobo, que está impressionante como Wandinha e surpreende com sua belíssima voz, ou mesmo Sara Sarres, alternate no papel de Mortícia.
Há também grandes atores consagrados no teatro e que sem dúvida fazem toda a diferença: Claudio Galvan está brilhante como Tio Fester; Iná Carvalho é hilariante como Vovó; Nicholas Torres é Feioso (alternando o papel com Gustavo Daneluz); Rogério Guedes é o divertido Tropeço; Wellington Nogueira é Mal, pai de Lucas (interpretado por Beto Sargentelli, que está otimo como o namorado de Wandinha).
Resumindo: não percam A Família Addams. A montagem brasileira empresta toda a sua latinidade a esta família, e é diversão garantida.
Zieg Veredito: Imperdível. Você vai morrer de rir!




O espetáculo realmente é imperdível!
Tb vi sabado achei da hora! A vovo e muito engracada.