André Torquato é provavelmente a Triple Threat mais nova do país. Com 18 anos, o brasiliense já passou por três musicais no eixo Rio-São Paulo e encara agora seu mais novo desafio em Priscilla, Rainha do Deserto. Em A Noviça Rebelde, seu debut nos palcos paulistanos, fez o irmão mais velho Friedrich. Depois viveu o jovem Tulsa em Gypsy, ao lado de Adriana Garamboni, Totia Meirelles e Eduardo Galvão. No ano passado, esteve em As Bruxas de Eastwick, juntamente com um elenco premiado, fazendo o rapaz Michael e deslumbrando a plateia com o showstopper Dançar com o Demônio.
O Mr. Zieg está sempre de olho nas novidades do Teatro Musical Brasileiro e conversou rapidamente com o ator no intervalo dos ensaios.
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Mr. Zieg: Qual é a diferença entre ensaiar Priscilla e os outros musicais?
André Torquato: Estou vivenciando uma grande e nova experiência na minha carreira. Priscilla, Rainha do Deserto é a primeira oportunidade de mostrar meu trabalho como um dos protagonistas de um musical e é também meu primeiro trabalho fora das mãos de diretores brasileiros. Fiz quatro musicais em minha carreira, sendo três deles dirigidos pela renomada dupla Möeller e Botelho, reconhecida internacionalmente por suas produções que fogem do modelo de ‘franchising’. E agora estou no processo de ensaios do Priscilla, que é uma franquia de um espetáculo já existente. Bom, são produções completamente diferentes e eu vou tentar explicar um pouco o porquê.
Acredito que a base da diferença está no processo criativo, ou no “levantamento do espetáculo”. Depois da estreia é difícil saber a diferença do que é uma franquia ou não, a não ser que você já conheça a versão original da peça. Na franquia, você tem um espetáculo já montado e que vai ser ensinado à produção brasileira. Ou seja, coreografias, músicas, cenário, figurino, contra-regragem e tudo mais já existe e está mais que revisado na cabeça dos americanos ou australianos ou japoneses ou qualquer estrangeiro que veio para dirigir a peça aqui no Brasil. E quando alguém compra uma franquia, já vem com tudo mesmo! (risos) Diferente de produções “originais” como as da dupla M&B. Coloco “originais” entre aspas, pois são espetáculos que já existem, mas que ao serem montados no Brasil recebem mudanças da direção em tudo (ou quase tudo) que ela julgue necessário.
No meu caso, a primeira grande diferença que senti foi na rapidez com que o espetáculo foi montado. Como a peça já está pronta, o coreógrafo passa as coreografias com uma rapidez tremenda e até assustadora, às vezes. E essa rapidez é equivalente em todos os outros aspectos: cenas são marcadas mais rapidamente, músicas são ensinadas como se fossem “parabéns a você” e por aí vai. É muita informação em muito pouco tempo. Por outro lado, os processos “originais” são um pouco mais lentos – eu disse ‘um pouco’ porque é rápido de qualquer jeito (risos) - mas o diretor está montando junto com você, assim como o figurinista ou o cenógrafo. É como se um novo espetáculo estivesse surgindo e você fizesse parte da criação dele.
Outra grande diferença é que, como já disse, o time criativo da franquia é normalmente todo estrangeiro. Por mais que se tenha um tradutor, é bom saber um pouquinho de inglês para você não ficar perdido nas piadinhas que eles fazem (risos). Nas montagens “originais” o ator tem mais liberdade de criação, já nas franquias esta liberdade ainda existe, mas é um pouco mais limitada.
Enfim, não existe uma fórmula para decidir quais destes dois tipos de processo criativo é o melhor. Afinal, aqui no Brasil ambos funcionam incrivelmente bem. Aprendi muito com as produções que integrei, cada uma tinha algo novo para me ensinar - e ainda tem! Mando um beijo para a família M&B e para meus padrinhos de palco, Charles e Claudio. Serei sempre Friedrich, Tulsa e Michael aqui dentro. Amo vocês. E outro beijo para a galera muito louca desse ônibus mais louco ainda que é o Priscilla! We will survive! (risos).
MZ: Qual conselho você daria para as pessoas que pensam em seguir a carreira de teatro musical?
AT: Não adianta falar que tem que fazer muita aula de canto, muita aula de dança ou muita aula de teatro. Isso todo mundo já sabe. E tem que fazer mesmo! (risos) Seja disciplinado, organize-se e aceite que a repetição é amiga da perfeição. Goste de Teatro Musical! Isso ajuda muito! Pesquise, escute, veja, busque. Não fique só ouvindo Wicked ou Spring Awakening. Não dá certo… Não seja o melhor da turma, tente ser, mas garanta que sempre tenha alguém que você ache que seja melhor que você. Dá um gás absurdo na hora de estudar. Pode parecer um pouco cruel, mas eu acho que ajuda… (risos) E mais importante: aproveite para estudar enquanto você não está trabalhando. Depois que você começa a trabalhar numa produção, fica muito mais fácil perder a disciplina nos estudos. Falo isso por experiência própria. Aproveite o seu crescimento e tenha calma. Tudo tem seu tempo!
Fotos: Oliver Tibeau






lindo!
O André é demais. Amei tudo o que ele falou.
Mil parabéns pra ele!
Sucesso menino! Concordo com você: Disciplina é tudo…se queres vencer tem que ter disciplina, meeeeesmo!